Ana Costa

Ser sensível abrange a pele, penetra na carne e inquieta a alma.

Textos


       O olhar de uma filha...

      Certa vez, falei para um amigo: "sinto dificuldade em escrever para minha mãe, pois sempre acho que falta algo a dizer". Olhando para trás, e comparando-a com as mães de sua geração, não me lembro de nenhuma outra que tenha vivido com a mesma intensidade, garra, superação e consciência da importância da mulher na sociedade. 
      Uma pessoa inteligente, eticamente correta, dedicada, rédea curta, elogiada por todos, enfim, brilhante em tudo o que realiza. Gostaria de herdar sua garra e determinação, o caminhar seguro e a infinita disposição física. São três filhos, sete netos e dois bisnetos que, juntos, não conseguem acompanhá-la com a mesma freqüência e resistência...  Aos oitenta e quatro anos surpreende, pois sua vitalidade é admirável!
      Nós tentamos 'domá-la' com receio de uma queda, um assalto e tantas outras coisas ruins que hoje nos atormentam, mas ela teima em sair sozinha, quer andar de ônibus, sente-se independente. E é mesmo! Seu médico diz que freá-la é o mesmo que cortar as asas de uma andorinha! Às vezes, temos vontade de colocá-la sentadinha, 'pensando', como se faz com as crianças traquinas nas escolas. Mas, sentar é motivo para fazer palavras cruzadas, ler um bom livro, conversar ao telefone ou mesmo receber amigos... Graças a DEUS, Mamãe, que sua juventude intelectual faz renovar as forças e torná-la fisicamente melhor que todos os filhos juntos! Obrigada por existir, partilhar e ensinar que a fé, realmente, move montanhas! Obrigada, também, por repetir: "O maior tesouro é o conhecimento. Este ninguém consegue roubar”.



Maio/2010

(Foto retirada de bymk.com.br)

Ana Costa

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Publicado em 23/05/2010 às 12h02


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