Ana Costa

Ser sensível abrange a pele, penetra na carne e inquieta a alma.

Textos


FAZER ESCOLHAS...

 

O amor não se dissolve como uma pedra de gelo ao sol. Ele dissolve-se aos poucos. 
O tempo não é o melhor remédio, mas um aliado para a determinação e coragem.

 

 

Por que a falta de sorte nos relacionamentos amorosos? Responder a esta pergunta é difícil!

 

O amor é um sentimento tão complexo que cada pessoa o define com as emoções que adquiriu na  vida.  Para alguns significa entusiasmo, compreensão, afeto, generosidade e cumplicidade; outros, o lastimam como “a desgraça que aconteceu em minha vida” e por ai vai...

 

Há tanta coisa linda dita, sentida e escrita sobre o amor... Não importa o tempo que durou. Não importa com quem a pessoa se relacionou. O importante é ter a capacidade de amar!

“Amar é sofrer...” Esta frase tão repetida deve ser modificada, pois, amar é mais que sofrimento; é mais que paixão; é mais que amizade; é mais que companheirismo... AMAR é a mistura de sentimentos, de atitudes, de coragem e de crença. AMAR contém um  punhado de elementos que transforma o espírito, agita o corpo, flutuam os pensamentos e aflora a sensibilidade. 

 

O sofrimento acontece amando ou não. O sofrimento é inerente ao ser humano, não há como escapar!  Porém, quando o sofrimento ultrapassa o amor, ai, sim, algo está errado... Nessa hora a reflexão deverá atravessar os pensamentos, incomodar o sentimento de amor e trazer a razão à tona. Razão e amor não se bicam, eu sei. Mas, não se trata da razão calculista, fria!

 

Para que haja reflexão sobre o amor sofrido é preciso pensar com a razão do amor-próprio. Amar-se primeiro ajuda bastante a refletir sobre a dor do coração. Persistir no sofrimento é gostar de se machucar, alimentar a dor do amor? Para quem é platéia, sim! Mas, quem tem o sentimento guardado no peito, machucando a todo o momento, sabe que é difícil agüentar. Os bons momentos vêm à tona e a pessoa fraqueja pela falta daquele amor; é uma carência aceitável. Dá uma saudade!!! É humano sentir-se assim. Não adianta dizer: ‘esqueça’! Esquecer uma dor? Só quando ela passa é que a gente esquece. Não há analgésico que cure...

 

Lastimar-se pelo sofrimento não apaga as boas lembranças, então, o que fazer? Fingir que a desilusão no amor não ocorreu? Isto atrapalha a cicatrização da ferida. Deve-se sentir a dor, reconhecer que o amor machuca e ‘curtir’ este momento de decepção;  é a fase do luto... É preciso deixar a fragilidade cobrir o corpo e se entregar às lágrimas, ao aperto no coração, a dor do rompimento. Acredito que essa etapa não se deve ‘pular’. É um período de tristeza, mas também, de libertação!

 

A partir daí, a auto-estima conseguirá erguer o corpo, limpar a alma e levantar a cabeça para a vida. É um tempo de luto necessário para cicatrizar a ferida e afastar o rancor. A saída é ter a coragem de reagir. Reagir entregando-se a outras necessidades: trabalho, estudo, ginástica, viagens, etc. Desvia-se o foco para algo prazeroso em qualquer área que estimule a auto-estima e o bem-estar. É transferir a energia para alguma coisa produtiva, positiva. Amar-se, em primeiro lugar. Essa é a fórmula!

 

Há quem se entregue a um novo amor para esquecer o anterior. Se o resultado for satisfatório, siga em frente! É importante ter fé, em qualquer caminho a ser seguido, acreditar num Ser Maior. É a força da fé que impulsiona a pessoa. E a amizade, também, é uma fonte de ajuda. Desabafar, ligar quando se sentir triste, pedir o apoio das pessoas em que se confia. Os amigos  existem não só para tapinhas nas costas e diversão, mas para ouvir, chorar junto, acolher e dar força.

 

A natureza auxilia bastante... Sair um pouco de casa, contemplar o mar, as montanhas, passear no parque, distrair-se! E se a barra está pesada demais, pedir ajuda profissional: fazer terapia. O importante é não baixar a cabeça e se sentir vítima das circunstâncias. Esse caminho aproxima a pessoa dos vícios negativos, como a  bebida, por exemplo.

 

Quando há cicatrização de um amor os momentos de felicidade permanecerão como uma lembrança. É a prova de que a capacidade de amar existe; de que a vida é repleta de surpresas boas e ruins, porém amar a si próprio regenera o espírito e a alma. Libertar o coração da desilusão nos fortalece e amadurece. Torna-se mais fácil fazer escolhas quando há, previamente, observação e conhecimento da outra pessoa, sem o envolvimento. Não é garantia para não sofrer, porém as chances diminuem.

 

Procurar um amor não é comprar um objeto desejado, nem achar a salvação para a insatisfação interior. O amor não é complemento; não é metade, mas unidade! São dois seres inteiros que têm personalidade e vida próprias. Cruzam-se e trocam generosidades, cumplicidades, afetos... Não há duas caras metades, mas duas unidades: duas caras inteiras!

 

E que “o amor seja eterno, enquanto  dure”, parafraseando o poeta Vinicius.    

 

 

 

 

Um grande beijo amiga.

 

 

 

 

 


Ana Costa

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Publicado em 09/06/2008 às 18h08


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