Ana Costa

Ser sensível abrange a pele, penetra na carne e inquieta a alma.

Diário
17/09/2008 20h38
As Cartas de Fernando Pessoa...
                                     (Óleo sobre tela:   A Carta - Bonnard)



Encanto-me cada vez que leio uma das cartas que Fernando Pessoa mandou para 'Ophelinha', nos anos 20. Ao mesmo tempo, reverencio a poesia do heterônimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, em 1935. MA RA VI LHO SO!



Todas as cartas de amor...

 


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Álvaro de Campos, 21/10/1935

Fernando Pessoa
(Poesias de Álvaro de Campos)

Publicado por Ana Costa em 17/09/2008 às 20h38
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